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15
set
10

Amyr Klink

Muitos anos atrás um livro caiu em minhas mãos: “Cem Dias Entre Céu e Mar”, do Amyr Klink. Não me lembro se já tinha lido ou ouvido alguma coisa sobre o Amyr antes disso, mas sei que depois dessa leitura ele se tornou uma grande referência em minha vida e ganhou minha profunda admiração.

Dono de uma capacidade de organização e planejamento impressionantes, faz as viagens mais complexas parecerem brincadeira. Frequentemente chamado de “aventureiro”, rejeita o título que lhe é atribuído pois, segundo ele, aventura envolve sorte, improviso, despreparo, tudo do que ele foge em suas viagens.

Cada um de seus feitos teve início ainda em terra, com o planejamento dos barcos, a pesquisa de materiais, e a contrução efetiva. Ele participa ativamente de todas as etapas, e ao final do processo conhece a embarcação em seus mínimos detalhes, seus potenciais e fragilidades. Ainda em terra, também, se debruça sobre cartas marítimas e lê um extenso material sobre o trajeto pretendido. Traça cada linha com um conhecimento prévio da região percorrida, aproveitando o conhecimento e as experiências de outras pessoas.

Nesse primeiro livro ele relata a travessia do Atlântico que fez em um barco a remo em exatos cem dias. Depois desse ainda vieram: “Paratii Entre Dois Pólos”, sobre a viagem em que, com seu veleiro, foi sozinho à Antártica e depois ao Ártico, para então retornar à sua Paraty; “Mar Sem Fim”, que conta a volta ao mundo que fez com seu veleiro em mais uma viagem solitária; “As Janelas do Paratii”, um belíssimo livro de fotografias da viagem de volta ao mundo; e “Linha D’Água”, sobre a construção do barco Paratii2 e uma viagem com família e amigos para a Antártica.

No começo do ano estive em São Francisco do Sul, onde fica o Museu Nacional do Mar. No museu existe a sala “Amyr Klink” onde estão expostos vários ítens que fizeram parte de suas viagens, inclusive IAT, o barco a remo com que ele atravessou o Atlântico. Para quem estiver em Florianópolis, Camboriú ou outra cidade ali por perto, é um passeio que vale muito a pena.

A emoção da visita ao museu só não foi maior do que a que tive no final de 2006, quando foi feita uma sessão de autógrafos no lançamento do livro “Linha D’Água”, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo. Primeira da fila, tive o prazer de conversar com ele durante alguns minutos enquanto ele calmamente autografava cada um de meus livros. Foi quando vi que, com tudo o que ele já fez, é uma pessoa tão simples, simpática e acessível. Se já tinha a minha admiração, ali conquistou-a definitivamente.

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31
jul
10

Citação de Amyr Klink

Sou fã do Amyr Klink, muito, e ainda vou fazer um post especial dedicado a ele. Por enquanto fica só uma citação de que gosto muito, de um de seus livros. Porque o “não partir” ou o “não fazer” está sempre presente, não apenas para os viajantes como ele.

Misteriosamente sumiu o nervosismo. Como se fosse uma costa ameaçadora que desaparece. O fato de sentar na “praça” com as costas no mastro, uma xícara nas mãos, mastigando um pedaço de chocolate, era o mais tranquilizador acontecimento do mundo. Única testemunha do meu horizonte, comemorei sentado, quieto, com a boca cheia, a minha maior conquista: partir. Ainda que minha viagem durasse apenas um único e mísero dia. Parti para minha mais longa travessia, e, mesmo que ela só durasse esse único dia, eu havia escapado do maior perigo de uma viagem, da forma mais terrível de naufrágio: não partir.

Amyr Klink – “Paratii Entre Dois Pólos”




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