Posts Tagged ‘literatura

06
set
10

“Olhos Negros”

Seguindo as indicações de um professor na faculdade, li no final de semana o conto “A Dama do Cachorrinho”, de Anton Tchékhov. Com esta indicação veio também outra referente a um filme baseado no conto: “Olhos Negros”, a que assisti hoje.

Conto e filme tratam da história do romance de um homem e uma mulher, ambos casados e infelizes em seus respectivos relacionamentos, que se conhecem e se apaixonam durante um período de férias. Do encontro e da paixão surge a questão de como lidar e o que fazer, então, com a vida estável e rotineira, ainda que indesejável, que ambos levam.

O filme tem como ator principal Marcello Mastroianni no papel de um viajante que, em um cruzeiro, relata a um recém-conhecido a história de amor vivida por ele no passado. Embora seja um drama, onde é mostrado um romance do protagonista, são vários os momentos muito engraçados, tornando-o bastante agradável de se assistir.

Lançado em 1987, o filme tem uma fotografia belíssima, com paisagens lindas, e uma escolha de cores e iluminação impressionantes. A trilha sonora também é maravilhosa, com músicas que se adequam perfeitamente à história e aos cenários mostrados.

Para quem não conhece a história, recomendo passar pela mesma experiência que eu, lendo o conto antes para então identificar seus elementos e referências enquanto assiste ao filme.

31
ago
10

Livro: “A Morte de Ivan Ilitch” – Leon Tolstói

Depois de algumas aulas cheias de referências a esse escritor russo, fiquei curiosa e, pela primeira vez, li um livro dele. Terminei uns dias atrás e, como acontece comigo de vez em quando ao conhecer um autor (como comentei em outro post), me deixou com muita vontade de ler outras de suas obras.

Nesse livro é relatada parte da vida de Ivan Ilitch, um juiz muito respeitado que tem uma morte lenta e dolorosa cuja evolução, física e psicológica, é contada com detalhes pelo autor. Tolstói usa a morte do personagem e sua relação com a família, o trabalho e a vida para levantar alguns questionamentos bastante interessantes.

A leitura flui com facilidade e prende o leitor do início ao fim, e o livro é relativamente curto. Mesmo prestando atenção a cada detalhe é possível chegar ao final da história em algumas horas, e vale muito a pena por cada uma delas. Mesmo tendo acabado de fazer minha primeira leitura sei que muitas outras ainda virão, e recomendo para quem ainda não conhece.

23
ago
10

Livro: “Um Otimista Incorrigível” – Michael J. Fox

Terminei de ler no final de semana esse livro do ator Michael J. Fox, sobre sua vida com a Doença de Parkinson e sua luta pelo desenvolvimento de pesquisas com células-tronco em busca de uma cura para a doença.

O livro é dividido em quatro partes: trabalho, em que ele conta sobre as mudanças em sua vida profissional, até a aposentadoria, desde o diagnóstico; política, onde relata a batalha que enfrentou em favor dos políticos americanos que apoiam as pesquisas com células-tronco; fé, sobre a forma como a religião tem feito parte de sua vida antes e depois da doença; e família, onde fala da importância de sua esposa e filhos, e sua forte ligação com eles.

As partes sobre trabalho e família são interessantes e a leitura flui muito bem, mas, pelo menos pra mim, as partes sobre política e fé são cansativas. Muita referência a personalidades americanas pertencentes a esses meios e de quem nunca ouvi falar, e detalhismo um tanto exagerado que me pareceu servir de propaganda a alguém que quer transmitir aos outros suas convicções. Não que tenha algo de errado nisso, mas comigo não funcionou.

Como passatempo serve, mas não é uma leitura marcante.

20
ago
10

Bienal do Livro 2010

Hoje fui à Bienal do Livro de São Paulo. Para quem gosta de livros, com tamanha variedade de editoras, títulos, autores e gêneros, poderia ser uma experiência bem próxima de estar no paraíso, mas…

Logo que passei pela catraca de entrada, percebi que andar não seria mais uma tarefa tão simples de se executar. De repente me vi no meio de um mar de gente e tive que lutar contra as ondas para conseguir manter o trajeto que pretendia seguir.

Uma vez que já tinha me habituado ao primeiro obstáculo, percebi outro que achei ainda pior: os infinitos chamados dos vendedores de assinatura de revista. É impossível andar dez metros sem ouvir: “Mocinha, já pegou seu brinde?”. Dica: quando ouvir uma frase semelhante a essa, corra. Se cair no papo do vendedor vai perder pelo menos uns dez preciosos minutos da sua vida, sair com uma revista que não queria debaixo do braço, e corre o risco de assinar uma revista que você não vai ler. No primeiro chamado, ainda com toda minha paciência, respondi: “Não quero, obrigada.”. No segundo: “Não quero!”. No terceiro me fingi de surda. No quarto disse que já tinha pegado. Do quinto em diante, alternei: oras xinguei em pensamento, oras me fiz de louca.

Depois de algumas horas andando a fome já era grande e lá fui eu para a praça de alimentação. Um pão de queijo, três reais. Uma lata de refrigerante, quatro reais. Comi, saí com a sensação de ainda estar com o estômago vazio, e, agora, a carteira também.

Quanto aos livros, que são o que realmente importa, não vi nenhuma promoção que me interessasse. Saraiva, Companhia das Letras, Rocco, Record, Planeta, e vários outros stands em que entrei com a expectativa de encontrar ótimos preços e ter meu lado consumista atiçado, me frustraram. O que vi foram preços iguais aos que já tinha visto antes, fora dali, ou ainda mais altos. Acabei comprando só alguns livros de bolso da editora L&PM que eu já queria e estavam sendo vendidos pelo mesmo preço que costumo ver na internet.

Não me arrependo de ter ido porque o gosto do contato com os livros ainda supera todas essas outras coisas, mas começo a desconfiar que a Bienal é bienal para que os visitantes tenham tempo suficiente de esquecer como foi a experiência anterior e passar por tudo de novo na edição seguinte.

11
ago
10

Meu Namorado Imaginário

No começo de julho escrevi um texto para um concurso literário cuja idéia era, a partir deste texto,  escrever um outro texto com o tema “Meu Namorado Imaginário”. Estava esperando o resultado sair para postá-lo aqui, mas como não sei quando isso vai acontecer resolvi antecipar. Por enquanto só sei que estou entre os finalistas, o que já acho ótimo. Gostei da brincadeira… espero encontrar outras oportunidades como essa.

“Meu namorado imaginário é perfeito nos mínimos detalhes de suas imperfeições. O corpo magro, os cabelos irregulares, os olhos míopes… tudo o que eu nunca procurei, mas que, quando vi, soube que tinha encontrado. O corpo que se encaixa ao meu sem vãos ou sobras, os cabelos que se misturam às minhas mãos que não se cansam de afagá-los, os olhos que me despem de tudo o que me esconde e permitem que só ele consiga me ver.

Meu namorado imaginário é doce, nas palavras, no toque, no eterno meio sorriso que faz do meu inteiro. Me envolve com sua voz mansa, o abraço suave e seguro, os beijos desejosos e desejados. É bem-humorado e sorri mesmo diante do inesperado. Me acalma e tranquiliza com duas ou três palavras, um olhar e o sorriso… ah, o sorriso…

Meu namorado imaginário me mantém desperta enquanto dorme em meu ombro. Me permite sonhar acordada em seu sono tranquilo em que divide a paz e o silêncio comigo. Não ouso mover-me, nem mesmo fechar os olhos, para não perder cada segundo de tais deliciosos momentos, que fixam um, e somente um, constante sorriso em meu rosto.

Meu namorado imaginário é poeta, e resgata de dentro de mim as palavras, as mais belas. Me inspira e me revela, até para mim mesma que nunca, antes, soube quem eu era. Tem o dom das palavras e as valoriza, assim como os sentimentos e as pessoas, como ninguém mais que eu já tenha conhecido. Ao me ouvir dizer que o amo não se entrega ao fácil, cômodo e vazio “eu também”. Espera até que sente, e sente que já não pode mais guardar dentro de si o que é nosso. Então me diz, quando nem preciso mais ouvir porque já sei e sinto com tudo o que sou.

Meu namorado imaginário não tem nada de imaginário, tampouco é ou será meu namorado. Mas me inspira de tal forma que, nos meus sonhos, nos sonos ou despertos, brinco de me apaixonar louca e perdidamente um pouco mais a cada dia.”

20
jul
10

Livro: “Caim” – José Saramago

Na semana passada terminei de ler (e me divertir) com mais esse livro do José Saramago.

Depois de matar seu irmão Abel, Caim, o personagem principal e “herói” da história, começa a se deslocar pelo tempo e espaço participando e, às vezes, interferindo em vários eventos que aparecem no antigo testamento. Passa pela construção da Torre de Babel, pela destruição de Sodoma e Gomorra, pela construção da Arca de Noé seguida do dilúvio, entre outras situações, sempre questionando e criticando as ações e intenções de Deus.

Todas as passagens são divertidas, tanto pela forma constantemente bem humorada com que o autor narra sua história, quanto pela ironia nos questionamentos e pela inclusão de expressões tão atuais no texto.

Gostei muito e recomendo a leitura.

30
jun
10

Livro: “O Escafandro e a Borboleta” – Jean-Dominique Bauby

Imagine ficar preso dentro do seu corpo. Você aí, vivo, consciente, com seu cérebro funcionando perfeitamente, mas sem conseguir movimentar qualquer parte do seu corpo, nem mesmo respirar ou comer sozinho, e sem poder dizer às outras pessoas o que está se passando com você. Na verdade você consegue realizar um único movimento: piscar seu olho esquerdo.

Tudo isso parece um pesadelo mas foi o que aconteceu ao autor desse livro, e foi nessas condições que ele conseguiu escrevê-lo. Piscando, letra a letra, formaram-se palavras, sentenças, parágrafos, e assim ele pôde externar suas idéias e pensamentos para que fossem lidos e conhecidos por outras pessoas.

Jean-Dominique era um jornalista francês, editor de uma famosa revista, e um dia, aos 43 anos, teve um derrame cerebral (AVC). Quando acordou do coma, 20 dias depois, teve a triste surpresa de se descobrir preso em seu corpo sem movimento. Com a ajuda de uma pessoa, que repetia uma a uma as letras do alfabeto até que ele piscasse indicando qual a letra escolhida, escreveu esse livro, contando um pouco de sua nova rotina no hospital em que estava internado, o contato com a família e os amigos por meio de visitas e cartas, lembrando fatos de sua vida antes do derrame e como suas experiências anteriores se tornaram tão presentes, tudo de uma forma muito lúcida que torna ainda mais difícil imaginar-se em sua situação.

Adorei o livro e não consegui abandoná-lo enquanto não cheguei à última linha. O bom-humor e o sarcasmo do autor, características de sua personalidade e que não se alteraram após o acidente, dão um tom bastante interessante a uma vida tão limitada. Quando os capítulos curtos, com cada uma das histórias, chegam ao fim, a vontade é de continuar e ler pelo menos mais um.

Em 2007 foi lançado um filme baseado no livro, mas ainda não o assisti. Pelo que vi ele foi muito premiado em diversos festivais em diferentes países e já está disponível em DVD, mas imagino que, como a maioria dos filmes, deixe a desejar em relação ao livro, principalmente por incluir imagens e interpretações de outras pessoas que não o próprio autor.




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