Posts Tagged ‘política

21
ago
10

Violência e Impunidade

Ontem à noite já tinha pensado sobre o que escrever aqui, mas quando acordei hoje e acompanhei as notícias sobre o tiroteio que aconteceu pela manhã no Rio de Janeiro, me deu vontade de escrever algo a respeito. Às vezes ouço algum comentário bacana sobre o Rio, ou vejo alguma foto que me lembra da beleza da cidade, e penso se minha decisão de não viajar mais para lá não beira ao exagero, mas então algo assim acontece e a vontade de voltar atrás some imediatamente.

Já faz algum tempo que o Rio tem esse problema da violência ligado ao tráfico, e pelas notícias que aparecem na mídia isso só vem se agravando. A impressão que tenho é que se não fosse o BOPE para manter alguma ordem por ali, com seus armamentos e treinamentos que os deixam prontos para lidar com uma guerra, a situação seria muito pior e impossível de se controlar. Para confirmar isso, basta ver que só após a intervenção do grupo é que os bandidos se renderam hoje.

Isso me faz pensar em qual será a solução adotada pelo Estado quando chegarem os anos da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Cidade cheia de turista é igual a muito dinheiro circulando. Se esse problema não for resolvido e a cidade não estiver sob controle até lá, como se garante a segurança de toda essa gente? Se esses eventos servirem de alguma forma para que a violência seja finalmente controlada, ótimo. O pior é se o controle for feito de forma temporária apenas para a época dos eventos, e para criar uma boa imagem do Brasil para os demais países.

O outro assunto sobre o qual pretendia escrever é o caso do jornalista Pimenta Neves, que, sendo réu confesso, admitindo ter matado a ex namorada dez anos atrás, continua e, provavelmente, continuará solto. Que país é esse em que vivemos que permite a alguém matar uma pessoa, confessar, e permanecer em liberdade?

O sistema de processos e recursos no Brasil é algo tão falho que permite a um advogado bem instruído garantir liberdade a alguém, que já foi considerado culpado, até que o crime prescreva, o que deve acontecer no caso do jornalista em 2012. Não sou advogada e não entendo os detalhes, mas imagino que seja essa mesma falha que tenha deixado a possibilidade para os candidatos barrados pelo “Ficha Limpa” manterem suas candidaturas. Com tantos recursos o candidato não pode ser considerado culpado pela falta de uma decisão definitiva por parte da justiça.

Eu gosto do Brasil e gostaria muito de vê-lo numa situação melhor. Certos problemas que o país tem são tão evidentes que qualquer pessoa pode enxergar. Será que é tão difícil assim votar em candidatos que mostrem boa vontade para resolver esses problemas e, depois de eleitos, cobrar para que as soluções sejam colocadas em prática? Pensando bem… considerando que o voto é obrigatório e a maior parte dos eleitores não tem acesso a uma boa educação e cultura política, acho que acaba sendo difícil, sim. Mas isso é assunto para outro post.

03
ago
10

Deputados Faltam, Mas Querem a Reeleição

Cheguei em casa, li meus e-mails e fui dar uma olhada nas notícias do dia. Na capa do UOL vi a chamada: “Oito dos dez deputados que mais faltam buscam reeleição”. A situação da política no Brasil é tal que já não sei mais como reagir diante de uma notícia como essa. É como se após ler tantas vezes a mesma coisa a revolta aumentasse, mas a vontade de falar a respeito diminuísse tamanha a sensação de frustração e impotência que sinto às vezes.

A reportagem foi feita com base nos dados de uma pesquisa do site “Congresso em Foco” e aponta os nomes dos deputados, cita os partidos, os estados que eles representam, quais os cargos a que são candidatos (um deles pretende passar de deputado a senador), e informa os números de faltas, as respostas dadas pelas assessorias dos senhores deputados e as respectivas justificativas pelas ausências.

O curioso é que a maior parte das faltas é justificada por problema de saúde, consulta a médicos e realização de exames. O grande campeão faltou a 90% das sessões (52 ausências em 59 sessões), e o 10º colocado faltou a 67% (40 ausências em 59 sessões). E eu me pergunto… que outro emprego dá a liberdade ao funcionário de se ausentar a quase 90% dos dias de trabalho para consultas médicas? Aliás, que pessoa precisa se ausentar do trabalho com tamanha frequência por problema de saúde? O absurdo é tão grande que parece uma brincadeira de mau gosto.

Mais absurdo ainda por se tratar de pessoas que ocupam cargos de grande importância e que são responsáveis pela tomada de decisões tão sérias. Se a pessoa não tem saúde para acompanhar as sessões e ocupar o papel que lhe cabe, o mais correto seria que fosse afastada e substituída por alguém que tivesse. Mas outro ponto interessante é que saúde eles têm de sobra para a campanha pela reeleição, e não duvido que consigam voltar para seus cargos (e suas consultas médicas).

Se todo empregador consegue controlar as faltas de seus funcionários, assim como qualquer instituição de ensino controla as ausências de seus alunos, qual a dificuldade em aplicar algum tipo de controle semelhante no caso dos políticos? Mas se isso depender da boa vontade e da aprovação dos nossos deputados… ah, e da saúde deles, também.

01
jul
10

Primeira Exceção ao “Ficha Limpa”

Hoje foi noticiado que o Supremo Tribunal Federal permitirá a candidatura do Senador Heráclito Fortes (DEM) à reeleição, mesmo com sua condenação por conduta lesiva ao patrimônio público. Foi apenas o primeiro caso, mas deixou as portas abertas para que outros políticos sigam pelo mesmo caminho e façam com que o “Ficha Limpa” se torne um projeto bobo e sem muito efeito.

O Senador foi condenado no ano passado e a defesa entrou com recurso no final do ano, mas este foi temporariamente suspenso. Com o recurso ainda em andamento, a defesa pediu suspensão do “Ficha Limpa” por motivo de “urgência”, já que o prazo para registro de candidaturas está no fim, e o STF aprovou o pedido. Outros pretensos candidatos que estejam na mesma situação poderão alegar o mesmo motivo e conseguir aprovação para suas candidaturas.

Pra mim isso é só mais uma amostra do famoso “jeitinho brasileiro” e do quanto nosso país não é sério. O que eles disseram foi: “Existe essa lei, e por ela o senhor não pode se candidatar. Mas pode ser que o senhor consiga sair inocente dessa história, mesmo já tendo sido considerado culpado antes, então, tudo bem. Vamos autorizar sua candidatura à reeleição.” E aí, as pessoas que criaram tanta expectativa com relação a esse projeto podem perceber que sua luta não adiantou de muita coisa.

Confesso que não esperava muito desse projeto. Como tinha dito num post anterior, acho que ele é só uma forma das pessoas passarem adiante sua responsabilidade de pesquisar bem sobre os candidatos antes de fazer sua escolha, e agora teremos a possibilidade de testar a seriedade da população pela quantidade de votos que esse, e outros candidatos na mesma situação, terão. É triste, mas tenho certeza que vários deles terão muitos votos e alguns serão eleitos.

Achei curioso esse resultado ter saído hoje. Melhor dia que esse seria impossível! (para o Senador, claro). Véspera de jogo do Brasil, o final da Copa se aproximando, a cabeça da maior parte da população voltada exclusivamente para a expectativa do hexacampeonato. Acho que são poucos os que estão pensando nas eleições e acompanhando qualquer notícia sobre política durante essas semanas de jogos. Até o final do campeonato o nome do Senador Heráclito será só mais um na lista de candidatos, e muita gente nem vai saber o que se passou.

Update: Outros casos apareceram mais rápido do que eu imaginava. Na quinta-feira foi o Senador Heráclito Fortes (DEM), e na sexta-feira foram a Deputada Isaura Lemos (PDT) e o Deputado Márcio Junqueira (DEM). Quem serão os próximos?

11
maio
10

Futebol 1 x Política 0

Hoje o técnico da seleção brasileira de futebol anunciou a escalação do time que vai para a Copa do Mundo. Hummm… ok. Honestamente, não gosto de futebol, não acompanho a Copa do Mundo, não torço, e essa notícia é completamente irrelevante pra mim. O que me chama a atenção é como a mídia está totalmente voltada para isso, e as pessoas estão falando, reclamando, se expressando a respeito.

Hoje, também, foi o dia da votação no Congresso para determinar se haveria ou não alterações no projeto do “Ficha Limpa”. Curiosamente, só vi pequenas notas sobre isso nos principais sites de notícia do país, ao lado de imensas chamadas às notícias sobre a escalação. Além disso, não vi um comentário sequer sobre a votação por parte das mesmas pessoas que vi debatendo a tal escalação.

Tudo bem que pra mim o projeto “Ficha Limpa” não deveria existir. Vejo-o como um projeto do “jeitinho brasileiro”, uma solução para um povo que não quer ter que pesquisar, pensar, decidir. Se cada pessoa tomasse a responsabilidade de seu voto para si, pesquisando sobre os candidatos e seus históricos, esse “Ficha Limpa” seria algo completamente desnecessário. Apesar disso, não nego que ele seja bom, pois pelo menos funciona como uma solução para evitar que seja eleito um tipo de pessoa que deveria estar longe da política e de decisões tão importantes para o país.

E então vem a incoerência. Até outro dia só se falava no “Ficha Limpa”, na pressão a ser feita para que ele fosse aprovado, na quantidade de assinaturas que era esperada, na votação e aprovação do projeto, e então chega a convocação da seleção brasileira para a Copa no mesmo dia de outra etapa importante para o projeto. De repente me parece que todo mundo foi anestesiado e as atenções se voltaram exclusivamente para a “paixão nacional”.

Será que amanhã todos estarão comemorando o fato do Congresso ter aprovado o “Ficha Limpa” sem alterações? Será que se lembrarão que o momento agora é de se preocupar com o Senado, que é onde ele será votado? Será que todo mundo vai esquecer que esse ano é de eleições e vai ficar se preocupando se o Brasil conseguirá sair campeão da Copa do Mundo?

Não sei o que vai acontecer, mas não consigo ser muito otimista. Enquanto as pessoas continuarem gastando tanta energia para discutir e brigar por causa de futebol, mas continuarem tratando com indiferença e superficialidade a política e o futuro do país, não consigo imaginar grandes mudanças por aqui.




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